Que essa coisa que inútil se desloca
e tomada de inteiro se divide;
que é aqui, mas é noutra que se toca
e na réstia o reflexo coincide;
que é certeza no tanto que equivoca
e do equívoco mesmo se duvide;
que essa pedra que em ângulo se coloca
e na ponta a si mesmo dilapide,
seja a coisa que valha nada em troca
e em inaudita sentença se liquide,
letra morta que nada convalide
e a palavra que nada mais invoca,
seja a coisa parada que se choca
sem querer, sem desculpas, sem revide.
Antoniel Campos
Escrito por AC às 22h56
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