Eu canto se não sinto o que aparento
e invento um contraponto, se nem tanto.
E enquanto me desmonto em fingimento,
sustento o que pressinto em contracanto.
Suplanto esse confronto e me arrebento:
me enfrento, me desminto e me quebranto.
Por manto, em labirinto me apresento:
me ausento, nada aponto e me decanto.
No entanto, me remonto e me acrescento.
Sedento de absinto me transplanto,
conquanto o desaponto seja alento.
E ao vento eu seja extinto, sem espanto,
sem pranto, sem apronto e desatento,
pois lento é que, sucinto, me levanto.
Antoniel Campos