MANDAMOS
Quem disse dessa blusa, de sua pertinência e beleza, do seu talhe nem um dedo acima nem abaixo, senão o olho que as abaliza?
Elas tentam. Toda hora. Se não nos percebem, muda tudo. Lêem em nós outros, ainda que não falemos: "não ficou muito legal...", lêem também: "massa, essa roupa...", então elas usam.
Cabelo.
O cabelo dela é nosso (quero-os curtos. Agora, longos).
Tuas sobrancelhas têm a medida do que eu digo sim. Seria outra, se sim eu não dissesse.
Tua calcinha não é maior ou menor senão quando eu digo à tal medida: que tesão.
Tens o cheiro do perfume que me agrada.
Seria outro, se do anterior eu nada dissesse.
És naquilo do que eu falo ou calo.
Serás magra ou cheinha se o meu olhar te disser: assim, sim; assim, não. Ainda que eu não fale. Melhor: ainda que eu me cale.
Não és dona de tuas unhas, pois te digo a cor e o tamanho. Não digo? tudo bem, mas adivinhas o que eu digo ou penso.
Nada há em ti sem que eu não aprove. Te possuo.
Não és dona do modelito (o da hora!) dos teus óculos sem que eu não diga: gosto do modelo dos óculos que usas.
Quero o teu cabelo ruivo: dás-me ruivo o teu cabelo. Preto. Dás-mo preto. Loiro, loiro.
Olha pra mim e me diz se eu minto.
Tu és do jeito que me apraz.
Ou seja, do jeito que somos para ti.
Antoniel Campos
Escrito por AC às 23h51
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