Poros e Cendais


APARTAMENTOS GIRATÓRIOS
 
 
 
Deidade,
desde o salto quinze em minhas costas
ao acordar em sua boca
— como eu gosto e você gosta —,
que direi do tempo havido nesse tempo?
mera conseqüência o ser dia o que foi noite?
(qual o quê!)
: não tem o tempo aferidor.
 
e na falta de algo que o mensure,
que o diga, o sinta, o capture,
— eu digo amor.
 
e se as palavras me sumirem,
arredias, sem dizer o que lhe sinto
(palavras, sinto muito, mas não calo),
com minha boca no teu colo falo,
num baiser rouge que lhe pinto.
 
com a boca, com o beijo ou como for
— eu digo, amor.
 
mas dizer que:
com você
não erro!
com você
eu danço!
com você
não caio!
com você
não canso!
 
— eu digo, amor?
 
 
Antoniel Campos


Escrito por AC às 10h00
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1 usuário online

:tu.

 



Escrito por AC às 11h02
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DO SEU QUERER
 
 
 
 Imagine o tempo como um todo
 : estou
 Imagine o tempo todo
 : estou
 Imagine o tempo
 : estou
 Imagine
 : estou
  
 Imagine o não-tempo
 : estou
 
 Não imagine
 : estou
 
 Apenas exista
 : e eu sou.
 
 
Antoniel Campos


Escrito por AC às 16h54
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O CORPO DO OUTRO (frag.03)
 
 
 
Vejo o teu corpo: ele me toma.
E antes que no tato eu te consuma,
o toque dá-se antes do contato.
 
Em vão as minhas mãos na tua pele
: é de sabor a sensação que me perpassas.
 
Dorme o teu corpo e nele roço a minha mão.
Cada parte me interessa,
amo tudo que há em ti,
o teu corpo é-me sem pressa
e sem vontade de partir.
 
Amo as tuas coxas como amo os teus artelhos.
Olho a tua boca,
miro o teu joelho,
fixo a panturrilha, me concentro na virilha,
e falo à tua nuca sussurrando nos teus seios.
 
Teu cóccix, tuas ancas, teu umbigo que ora beijo
: teu corpo é a escultura burilada em meu desejo.
 
E o ponto que te diz dele sou feito:
pingente que bem sei: é no meu peito.
 
 
Antoniel Campos


Escrito por AC às 08h48
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DIAS ELEITOS (Frag. 05)
 
 
Fizeste singular o dia: riste.
E ímpar tu quiseste o ontem: creste.
No hoje o amanhã me deste: viste
que ao lado teu caminha um sempre: este.
 
Ao dia em que me és eu digo existe,
e aqueles que me restam quero-os neste.
Riscaste em todos eles isso: triste
: em brut e demi-séc me bebeste.
 
É hoje, é amanhã, é ontem: é.
E é se outro instante se fizesse
: o dia não quer tempo, quer o encontro.
 
Sedex, via fax ou a pé,
debalde se tu fosses, se eu viesse,
é dia! e nada abriga o desencontro.
 
 
 
Antoniel Campos


Escrito por AC às 16h58
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12:30
 
 
Sendo exatamente doze e trinta,
de quanto tempo necessito num poema
para dizer (a coisa tem que ser sucinta)
"amo você", assim, rápido como num telefonema?
 
mas que não pareça frase feita, tipo teorema,
e sem que a pressa me desminta,
sabe como? (pense num problema!)
ah, já sei, vou espalhar a tinta
 
da caneta no papel (ih... doze e quarenta!)
e torcer que essa pintura me sirva de garganta.
é isso. e vou ficar de orelha bem atenta.
 
mas... o que vem lá? algo à folha se apresenta:
além de "amo você", outra coisa se lhe imanta:
"eu também". maravilha!. bem, vou lá. (doze e cinquenta!)
 
 
Antoniel Campos


Escrito por AC às 12h28
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DEDICATÓRIA (frag. 02)


Então me tocarás naquilo que te dou
mas é no gozo íntimo do dar e receber
que nos tocamos

se é fato que te faço única
quando uma só é a coisa
que naquele instante te traduz
— aquela a qual eu olho e digo: é essa —
a coisa será sempre qualquer coisa
pois única já eras

eu te dou desde o momento da intenção
até o instante em que recebes
e dado permaneço enquanto fruis o que te oferto

a coisa, logo vês, só vivifica o dar e o ter

pega este poema. é teu.
e o que te ocorre?

já sentias que era teu desde o início.


Antoniel Campos

Escrito por AC às 07h36
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