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ADORÁVEL (frag. 01)
sobre o instante que te tenho aquele em que a mim não me possuo que dizer? quem sou quando não meu e em senhorio do teu ser? o quanto te possuo se de mim não me sei dono? e o que digo da impressão duradoura de querer-te?
e por que tantas perguntas se as respostas já as sei?
tu: o que pensas faço lei o que importa é isso: ter-te e o que sou digo abandono
real acaso mito se és tu o meu desejo, tu és única e nada digo a mais mas que és única, repito.
Antoniel Campos
Escrito por AC às 19h13
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RESIDÊNCIA
tanto na letra quanto no traço no gole (happy-hour) em que te brindo onde fico ou passo e no tanto faz do passo: indo ou vindo
em mozart no frevo no pingente no verso sobre a foto no ponteiro no arrasto da corrente e no poema-lâmina: certeiro
habitas no que é meu e em ti respiro — românica e gótica presença — bauhaus le corbusier goya: papiro no teu papel eu digo residência
Antoniel Campos
Escrito por AC às 08h19
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OUSOU:
ou seu
(e sou)
ou só
(mas seu)
Antoniel Campos
Escrito por AC às 16h47
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PROBLEMAS COM A CAIXA DE ENTRADA DO PROVEDOR LOTADA?
para não deixar de receber mensagens futuras uma maneira é baixar as atuais no programa de correio eletrônico (sinta: é maior) esvaziando a caixa de entrada do provedor
depois, salvá-las em um meio físico como o hd, disquete, cd-rom (é. é maior) ou mesmo em papel
outra forma é abrir as mensagens ainda no provedor (maior. é maior) copiá-las, abrir o word e colar as mensagens repetindo os procedimentos (é bem maior) descritos acima de como (muito. muito maior) salvá-las
depois, no provedor, basta selecionar as mensagens e apagá-las (maior) liberando assim espaço para futuras mensagens
é provável que existam (bem. bem maior) outras formas mas no momento não me ocorrem. (sinta: é maior)
Antoniel Campos
Escrito por AC às 22h37
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DAS OBRIGAÇÕES DE DAR COISA CERTA A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios (dela embora não mencionados), salvo se o contrário resultar das circunstâncias do caso. Se a coisa se perder, sem culpa do devedor, fica resolvida a obrigação para ambas as partes. Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, poderá o credor resolver a obrigação, (ou aceitar a coisa). Sendo culpado o devedor, poderá o credor aceitar a coisa no estado em que se acha, com direito a reclamar perdas : e danos. — Os frutos percebidos são do devedor, cabendo ao credor os pendentes —. Se a coisa se perder por culpa do devedor, responderá este pelo equivalente, (mais perdas e danos). Quanto aos frutos percebidos, observar-se-á o possuidor de boa-fé ou de má-fé. (Código Civil – art. 233 a 242)
Escrito por AC às 00h44
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eueueueueueueueueueueueueueueueueueueueueueueueueu
eueueueueueueueueueueueueueueueueueueueueueueueueu
eueueu eueueueueu eueueu eueueu
eueueueueu eueueueueueueu eueueu eueueu
eueueueueu eueueueueueueu eueueu eueueu
eueueueueu eueueueueueueu eueueu eueueu
eueueueueu eueueueueueueu eueueu eueueu
eueueueueu eueueueueueueu eueueu eueueu
eueueueueu eueueueueueueu eueueu
eueueueueueueueueueueueueueueueueueueueueueueueueu
eueueueueueueueueueueueueueueueueueueueueueueueueu
Antoniel Campos
ps: A proposta é de um processo (não o processo da feitura de que trata o poema/processo), onde o leitor participa do poema na medida em que nele intervém, com o meio que lhe cabe e que lhe está à mão. Não fosse assim, ou seja, a inexistência do processo, teríamos, aí sim, apenas um poema concreto. A proposta, acima de tudo, é essa: eu dizer tu. Ou vice-versa.
Escrito por AC às 17h20
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ASSIM:
Porque é como se fosse a cada pronúncia, ou mesmo só intentada, que a tua boca à minha se fizesse. Daí ao senti-la em beijo, basta-me em beijo eu senti-la.
Se te silencias, se te emudeces, não penso o emudecer e o silêncio, penso-te ao beijo — a pausa é onde tu pensas e ponderas (tudo) —. Mas não te capto assim. Faço do teu pensar a intenção do beijo e de todo o ponderar o beijo há muito dado.
Daí o gosto que te digo, o gosto que eu sinto na medida que respiro.
Mas, não só. Não fosse o silêncio e o emudecer, ainda assim o sabor te me diria (na voz ou no silêncio a tua boca é minha fala).
Penso-te e te beijo. Não a pensasse, ainda assim te beijaria.
É assim que o teu sabor é o mesmo meu.
Antoniel Campos
Escrito por AC às 17h13
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OS OLHOS MEUS DE TE OLHAR
Era sobre o branco imenso — dos lençóis e o que vestias — que eu olhava os teus olhos e os teus olhos me olhavam
De tal forma eu te mirava de tal forma tu me vias que quanto mais eu te olhava mais vontade em mim havia de olhar mais nos teus olhos os olhos teus que me viam
E tu a mirar-me os olhos e os olhos meus te mirando os teus nos meus olhos vendo meu olhar todo te olhando
E eu te olhava e em mim tu vias que o mesmo que eu via, olhavas Olhava-te tanto e tanto e em mesmo tanto me olhavas que mais nada os olhos viam além dos olhos olhados
e de olhar tanto e amiúde na completude do olhar eu te vi na infinitude do meu instante e lugar
E tu a me olhar nos olhos os olhos meus de te olhar
Antoniel Campos
Escrito por AC às 17h55
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TER-TE
Ter-te como o claro sabe a luz e a flor o perianto. Tal como a sombra habita a contraluz. Teu onde, o quando e o quanto.
Ter-te a fala tua que traduz meu riso onde é pranto. Teu passo que o meu passo ora conduz no todo e no enquanto.
(Canto e o meu canto se reduz se não te tenho o canto.)
E amo-te por tudo que me induz a amar-te mais e tanto.
Antoniel Campos
Escrito por AC às 23h46
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O CHÁ DA ERVA-MOURA
Cai a tarde no rancho. Montanhas circundando a nossa morada. Nosso chão. Nosso refúgio. Em golpes ritmados de machado, corto lenha para a clareira e o fogão. A noite promete frio, sugerindo aconchego. E tu colhendo folhas de erva-moura. Com o fardo nos ombros, corpo suado, caminhando para 'nuestra habitación', olho terno para ti e te encontro me fitando há horas. Sorrimos juntos. E jogavas ao cesto as folhas da erva-moura. Espalho a lenha onde é devido e subo para o nosso quarto. A escada de madeira tosca. E tu vais à cozinha fazer o chá da erva-moura. Pegas o fósforo que me ensinaste a fazer com enxofre, antimônio e potássio, guardado entre as frestas dos troncos de carnaúba - as paredes da nossa cabana. E acendes o fogo para o chá da erva-moura. No nosso quarto, entro numa imensa tina de jacarandá - aduelas reforçadas com tirantes de ferro, que fiz no ano passado. Começo o meu banho. E tu pões para esfriar o chá da erva-moura. Imerso n'água, absorto, relaxando, sinto tuas mãos nas minhas costas. Movimentos de carinho. Sem me virar, pego a tua mão e beijo-a. Tu te aproximas e me beijas a nuca. Olho para ti. Na outra mão, trazes uma chaleira com o chá da erva-moura. Trago a tua mão ao meu encontro e te puxo para dentro da banheira, junto a mim. Mas a minha fiel andarilha não deixa entornar a chaleira com o chá da erva-moura. Sorrimos novamente.Nos beijamos. Então, mão direita ainda erguida, tu, ao mesmo tempo em que nos beijávamos, deixas cair em nossos corpos o chá da erva-moura. Antoniel Campos
Escrito por AC às 22h59
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A UTILIZAÇÃO DO SOLO-CIMENTO EM HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL
Toco-te ao ouvir-te e a tua imagem não capto: pego. Penso. E és táctil em meu pensamento. Em nada no meu corpo eu te nego.
Eu sinto cada coisa que tu tocas, tal de mim fosse o gesto de tocar (não, minto: é meu o gesto, pois eu sinto).
Eu toco a tua palavra ainda líquida no nanquim, ainda sólida no grafite HB nº 7. E toco-te em mim quando me tocas em offset.
Toco na canção que tu me cantas e na que eu toco para o teu sorrir. E toco em tuas ancas quando, em solo, uma canção toco pra ti.
Antoniel Campos
Escrito por AC às 12h40
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ENVOLVIMENTOS
O mundo cuide do mundo, cuidemos nós de nós dois. Que seja intenso o segundo, e singular fique pois. A vida a ti me apôs e em mim te guardou bem fundo. És meu sentir mais profundo; tanto, que nunca se expôs. Vens de mim, sou-te oriundo. Que venha o mundo depois. Antoniel Campos
Escrito por AC às 23h59
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Quando eu digo que te amo, será que eu disse o que sinto? Quando por teu nome eu chamo, eu só chamo? (ou seja, minto?) Como o dizer é sucinto... tudo apouca, se proclamo. Mas, que faço? rogo, bramo? risco a razão e o instinto?
Sinto além de um "eu te amo". Te amo além do que sinto.
Antoniel Campos
Escrito por AC às 09h02
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O CETRO
cativo é o território em que habitas. planície que respira porque dizes: vive. o chão demarcado. pacífica posse no domínio pleno. ali o marco a dizer: nada antes ou depois. cruzeiros encravados na geografia em que fizeste dia-a-dia a terra úmida. fértil. a espera e o pousio. a esfera. o padrão.
O MANTO
invento todas as nuvens e pinto de sol o céu. teço nas palavras a lã que tu fabricas e me ofertas. a dádiva do tecido pronto. mas é sob os teus panos que me guardo e quero. ali entre a renda e a pele, sem que sejam a renda e a pele o que me prendem. mas o estar.
A MÃO
(o pedido) seguro a tua mão. segura a minha.
(a oferta) seguro, a tua mão segura a minha.
(a certeza) seguro a tua mão segura. : a minha.
A BOCA
nos teus lábios. nos teus dentes e gengivas. na tua saliva. no teu palato. no teu gosto de cigarro e de bebida. eu sou na tua boca por toda a minha vida.
RAINHA
de mim é o que tu és. e beijo-te o cetro. e beijo-te o manto. e beijo-te a mão. e beijo-te a boca.
Antoniel Campos
Escrito por AC às 08h44
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TRAMA
Ser refém do calendário e achar que o tempo se conta no tique-taque diário que o próprio tempo desmonta, é não ver que o tempo aponta um tempo que é unitário, onde o futuro é o horário que ao passado se remonta. O uno contém o vário, o meio contém a ponta.
Antoniel Campos
Nota: e, a despeito do tempo e calendário, recebi hoje um presente que muito me emocionou e que gostaria de dividar aqui. Márcia, querida amiga, o meu beijo de muito obrigado.
www.mac38.blogger.com.br
Escrito por AC às 05h49
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E por assim dizer, eu fui dizendo tudo, mas sem dizer, contudo, que o tudo era você.
E sem me perceber, me vi assim desnudo e todo o conteúdo dizia de você.
E em tanto te querer — e amá-la sobretudo — meu corpo ficou mudo e em mim grita você.
Antoniel Campos
Escrito por AC às 01h28
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o gel fixador fica ao lado do anti-séptico bucal, em embalagens idênticas.
manhãzinha e, como sempre, acordo com você no pensamento.
adivinha com o que eu escovei os dentes?
antoniel campos
Escrito por AC às 05h55
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do ano velho eu trouxe um reveillon sagrado (minha barba por fazer) uns versos brancos guardados e o melhor: trouxe você
no ano novo inda trago o reveillon (mais a barba por fazer) na cerveja e no chandon onde trago eu e você.
antoniel campos
Escrito por AC às 06h40
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